preciso mudar
ainda não sou eu
Acho que faz tempo que não me sinto mais eu mesma. Ser adolescente, pelo que parece, é exatamente isso: viver em uma crise de identidade constante. Me pergunto se algum dia vou realmente descobrir quem eu sou.
Será que se descobrir tem a ver com usar roupas extravagantes, acessórios grandes combinando ou ter o cabelo colorido? Será que é sobre isso? Eu sempre sonhei em ser adolescente, mas, agora que estou aqui, não sei quem sou.
Tantas pessoas têm estilos únicos, feeds de Instagram perfeitamente pensados, personalidades que parecem tão sólidas. E eu? Bom, eu sou calça jeans, regata preta e um medo incessante de dar a cara à tapa nos stories — do meu próprio Instagram.
Será que isso é só medo? Medo de ser vista de verdade, medo de julgamentos, medo, medo, medo. Mas, ao mesmo tempo, sinto que minha personalidade é única. Tenho um humor que considero incrível, ainda que seja cheio de referências que só quem é cronicamente online entende. Será que isso também deveria mudar? Talvez eu devesse largar as piadas que ninguém fora do TikTok entende?
Também acho que tenho conteúdo para oferecer. Ouço músicas que considero legais: MPB, rap, trap, divas pop... Assisto a filmes que variam entre cult e bobo. E estudo, muito. Talvez até demais. Mas aí bate a dúvida: eu faço tudo isso porque realmente gosto? Ou porque quero que as pessoas saibam que faço? Às vezes, não consigo diferenciar.
Por ter sido uma people pleaser a vida inteira (sim, já estou planejando um post só sobre isso), sinto que muitas das minhas escolhas são sobre agradar ou me encaixar, mesmo que inconscientemente. A ideia de autenticidade ainda é bem nebulosa para mim.
Por isso, admiro tanto as meninas que parecem únicas e autênticas. Que são ousadas, despreocupadas com a opinião alheia. Isso me inspira a ser como elas. Ainda não sou. Ainda não descobri o meu jeito, mas estou tentando.
Só que sair do básico também tem seus desafios. Sempre fui apaixonada pela Taylor Swift, mas ouvi tantas vezes que ela era “só uma loira básica” que essa ideia acabou infiltrando meus pensamentos. Não é algo que acontece sempre, mas, nesse caso, me afetou.
Por um lado, foi até bom. Expandir meu gosto musical e explorar novos artistas foi incrível. Por outro, acabei me desconectando de algo que amo. Ir ao show dela foi uma experiência inesquecível, e ter vergonha de admitir isso me deixou envergonhada de mim mesma. Sério, Larissa? Vai mesmo tentar agradar gente chata? Seja você, porra.
Mas ainda não sei o que significa "ser eu". É confuso, incerto e às vezes até frustrante. Ainda assim, estou tentando me libertar desse medo que carrego — medo de errar, de desagradar, de ser julgada.
Talvez eu não saiba exatamente quem sou agora, mas estou aprendendo. E, aos poucos, vou chegar lá.
Sabe o que teria ajudado? Se a Larissa criança tivesse feito uma apresentação em slides sobre "a adolescente que eu quero ser". Imagina só: cores vibrantes, fontes engraçadas, imagens mal recortadas e um planejamento que provavelmente incluía o cabelo azul. Seria um espetáculo.
Um dia vou fazer e publicar aqui :)
Recomendações da Lari:
- Música A Place in This World, da Taylor Swift.
- Música Fifteen, também da Taylor.
- A foto é do filme Juno (2007), e um fun fact é que, na verdade, quem interpreta a personagem Juno é um ator trans, que fez a transição recentemente. Nunca vi o filme, mas pretendo. Achei a foto no Pinterest :)
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Com carinho,
Lari 💌




Lembrei da frase "medo de ser vista tentando"
Vc é mt boa escrevendo vc descreveu tudo q eu sito e eu me identifiquei mt com o negócio da Taylor, as vezes a gnt se deixa levar pelo “ela é so uma loira branca q canta sobre seus ex” e fica ate com vergonha mas sinceramente quem deveria ter vergonha são as pessoas CHATAS q falam isso dela (a maioria dessas pessoas só ouviram shake it off e olhe lá).